Dia-a-dia

Mães, vocês se sentem sobrecarregadas?

Os homens têm sido mais presentes na vida dos filhos, de modo a acompanhar as pequenas tarefas diárias, desde os cuidados básicos até a educação e desenvolvimento social. Mesmo que o pai esteja mais vinculado ao filho, as funções que ele exerce com as crianças ainda é desproporcional em relação as atividades em que a mãe assume quando se trata de filhos.

Diferença cultural gera sobrecarga de funções para as mães

Identificamos essas diferenças entre maternidade e paternidade porque culturalmente nós aprendemos que mulheres possuem o jeito para o cuidado e a ela cabe essa responsabilidade ao tornar-se mãe, enquanto ao homem, é reservado o espaço público da carreira profissional e manutenção do bem-estar financeiro. Aprendemos assim. Aos homens pouco é ensinado sobre habilidades de cuidado com algo ou alguém, enquanto a nós, as brincadeiras relacionadas ao zelo são atribuídas desde muito cedo.

Reproduzimos esse modelo patriarcal ao longo da história, mas é preciso considerar como essa estrutura sobrecarrega as mães durante a gravidez e perpetua pelo resto da vida, fazendo com que ela pense ser a única e maior responsável pela proteção de seu bebê, além de ter que dar conta das tarefas domésticas e de manter a boa forma (física e mental).

Acontece que muitas de nós, mulheres, também acreditamos nessa história de sermos melhores preparadas para cuidar dos filhos e por vezes isso nos distância de dividir os cuidados com o parceiro ou ex-parceiro, alegando que o mesmo não sabe fazer direito ou que prefere que ele dê atenção a outras circunstâncias. Mais uma vez estamos pegando todo o peso e colocando sobre nossos ombros. Não precisa ser assim!

Conflitos psicológicos na gestação podem desencadear transtornos

As alterações hormonais, cobranças sociais, mudanças da imagem corporal e falta de apoio geram grande sobrecarga às mães e algumas podem desenvolver sintomas de ansiedade e tristeza, podendo recair em um quadro grave de patologias como a depressão pós-parto, transtorno de ansiedade generalizada, fobias, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), síndrome do pânico e outros.

Isso muitas vezes ocorre pela idealização que fazemos sobre o período gestacional. Temos um pensamento embelezado sobre a maternidade, quase que esquecemos como é difícil assumir a chegada de uma nova vida e isso gera culpa quando sentimos não só alegria a todo o momento, mas também cansaço e irritação com a nova rotina.

Ajuda X Divisão

Uma boa saída para não sentir-se sobrecarregada com as demandas maternas é exercer o diálogo com seu parceiro ou com familiares, expressando o que a incomoda e propor a divisão de tarefas. Lembrando que dividir de forma que não sobrecarregue é diferente de ajudar. A ajuda se dá quando é viável e não quando necessário, ou seja, as vezes será preciso abrir mão do futebol de quinta para trocar algumas fraldas e contribuir à saúde e bem estar do bebê.

Faça coisas para além da maternidade

Por vezes as pessoas se espantam quando a mãe expressa a vontade de transferir parte do cuidado com os filhos para um outro alguém, em virtude de dar atenção a sua carreira profissional, estudos ou lazer. Já o pai nem chega a demonstrar esse desejo, pois seu afastamento acontece de forma muito natural e não recai sobre julgamentos, podendo assim dar atenção a muitas outras atividades para além da paternidade.

É por isso que quando um homem padrão “Rodrigo Hilbert” aparece ele é tão exaltado, por estar assumindo uma função paterna que é pouco comum aos demais, mas que não é nada além de abdicar parte do seu tempo para apropriar-se da responsabilidade que lhe foi agregada, a de ser pai.

A chegada de um bebê pode (e vai) mudar toda sua rotina, entretanto, reserve algum tempo do seu dia para fazer o que gosta. É muito importante que a maternidade não seja sinônima do afastamento de suas particularidades. Às vezes é preciso passar horas na cama assistindo aquele seriado que gosta ou praticando uma atividade que libere endorfina e te dê prazer. Desligar-se das atividades maternas só é possível quando a mãe sabe que o bebê está em segurança, por isso é importante sempre ter pessoas de confiança por perto.

Mãe, não sinta-se culpada!

Além do apoio que pode ser encontrado no âmbito familiar, o acompanhamento psicológico é essencial para que as mães encontrem saída para suas angustias e medos relacionados a maternidade. Ela encontrará um espaço profissional preparado para lidar com seus conflitos sobre o corpo, perda de individualidade, sexualidade, dúvidas gestacionais e pós-parto.

Portanto, é importante lembrarmos que cada mulher vivência a maternidade de uma forma diferente e carrega dores e alegrias muito singulares. Sejamos apoio para que o momento pós-parto e cuidado com os filhos seja sempre uma responsabilidade não só da mãe, mas também e igualmente do pai. Assim a culpa gerada pela cobrança excessiva que as mães sentem, pode ser aliviada e os pais podem ter maior participação no desenvolvimento emocional e social dos filhos. Vamos tentar?

Karoline Mincarone

Por

Karoline Mincarone

Psicóloga

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